domingo, 2 de agosto de 2015

Orgias em massa

Parece que as minhas últimas publicações tanto neste blog como no Toda a Treta têm sido maioritariamente comentários às modas que o Verão de 2015 nos tem presenteado. Todos os anos, esta época, é propícia à aparição de novas tendências que, mais infeliz que felizmente, ganham adeptos por todo o globo.
Sou consciente que a minha opinião não foi pedida por ninguém mas esses mesmos também não me pediram para não o fazer. Como tal e para tentar contrariar a inércia que invade os nossos corpos quando o calor aperta tomo a liberdade de partilhar todo este conjunto de iões que atravessam os meus neurónios e que, no fim, conformam o meu pensamento.

Foi-me dado a conhecer, nestes últimos dias, enquanto exercitava o cérebro com uma agradável leitura, evitando milhares de atualizações na minha página do Facebook, que orgias em lares de idosos começam a tornar-se um fenómeno viral.
Começa em Inglaterra, estende-se a França, Espanha e sem nos apercebermos está a festa montada na Santa Casa da Misericórdia no fim da nossa rua.
Quem sou eu para tecer qualquer tipo de comentário negativista em relação a esta prática? Se têm a energia, vontade e interesse em fazê-lo e desde que mantenham a descrição necessária para que outros utentes com menos apetências, condições físicas e ânimo não tenham conhecimento que o senhor Joaquim anda a ver a dona Manuela sem a dentadura, acho que umas cambalhotas e pinotes com as devidas precauções não fazem mal a ninguém.

Desta forma, a malta andava distraída e, conhecidos são os benefícios do sexo, podia ser que o consumo de analgésicos e afins fossem reduzidos e, consequentemente, os gastos com eles. Aliás, o governo tinha todo o interesse e proveito em adotar uma medida semelhante sob a justificação da contenção de custos. Não teria de subsidiar lares, que muitas vezes fazem tudo menos proporcionar conforto e carinho aos nossos velhinhos, e poderia reaproveitar esses fundos na formação de profissionais verdadeiramente capazes de oferecer condições favoráveis ao bem-estar dos que, outrora, tanto aportaram de bom à formação e economia da nação tanto com o seu trabalho como com a educação proporcionada à descendência.
Mas o Homo sapiens que não sabe ser humano não conhece outra coisa que não a ingratidão e injustiça.

Mas não nos desviando do grande tema da exposição que a todos nos junta, hoje, à volta dos respetivos pedaços de hardware e software, espero que não em chamas, a realização do coito em idades já, certamente, bastante avançadas, sendo, ainda, capazes de encontrar a genica, desejo e disposição para tal é um acontecimento digno de registar. É o tanto que jornais foram avisados que tal acontecia e, agora, todo o mundo está a par da vida sexual que, nos lares, ocorre.
No entanto, só há notícia porque são atividades que ocorrem em instituições ou porque envolvem personagens conhecidas do público ou que lideram, ou lideraram, organizações que administram o dinheiro do povo, como o Dominique Strauss-Kahn. Como economista que é, este senhor já estava a prever a redução dos custos em analgésicos favorecendo a formação de endorfinas endógenas que provêm da estimulação sexual.
Se um parceiro, seja ele masculino ou feminino, já provoca a libertação de tantas dessas moléculas, a estimulação múltipla deve ser maravilhosa.

Se tais exercícios ocorressem no meu lar, o que seria fantástico, claro que com as devidas correções etárias, a menos que tivesse uma vizinha abelhuda ninguém ficaria a saber. Sendo assim, muitos outros velhinhos devem-se divertir, no anonimato, com a flexibilidade que uma anca deslocada proporciona.


Já a terminar, felicidades a todos esses audazes que provam que a idade só se vê no cartão de cidadão e não no modo como levanta o mastro. 

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